sábado, 17 de janeiro de 2009

Bem-vindo Ano Novo!


Eu sempre acho e digo que essas coisas de ano novo, datas natalícias, dias disso e daquilo são bobagens. E acho mesmo. Mas devo admitir que para mim este ano de 2009 está começando com ares diferentes, com uma nova energia, nova disposição e um novo colorido.

Sinto que minha vida está diferente. Não tanto por fatores externos, mas sobretudo por uma atitude interna que brotou em mim de querer estar mais vivo, mais consciente, mais sintonizado com o que realmente quero a cada momento, com o que realmente estou sentindo lá bem no fundo. E junto com isso veio uma não-disposição a fazer concessões, a contemporizar. Sinto que estou abrindo as portas para a expansão e realização de meu potencial, de minha vontade, de minha criatividade, de minha liberdade enfim.

E sinto que isso tudo veio com o ano novo.
E parece que ele veio forte mesmo. Primeiro queimou o HD de meu computador e me pôs duas semanas debruçado em cima de pen-drives e velhos arquivos copiados em CDs e notebook, tentando recuperar o máximo possível de minhas ferramentas de trabalho. Perdi o material preparado para o boletim de janeiro que não saiu, perdi várias coisas, mas não perdi a vontade e o gás de querer refazer tudo, e de aproveitar para refazer de uma maneira melhor, de aproveitar e repensar a estrutura do site do Osho Brasil, criar novas seções, tentar torná-lo mais leve e agradável de ser lido. E estou gostando do que estou criando.

Devo confessar que a perda do HD com todo o trabalho nele arquivado foi um choque. Enquanto minha CPU ficou no conserto, para instalar novo HD zerado, passei mais que um dia sozinho, sem falar com ninguém e sem fazer absolutamente nada. Fiquei parado, sem entender o que estava acontecendo e sem querer entender.

Mas foi apenas isso. A partir daí começou forte o meu processo de recuperação, não só do HD, mas principalmente de meu pique de querer e fazer, de vislumbrar possibilidades e realizá-las. E nesse pique, também veio uma clareza maior quanto à realização de eventos com base na visão do Osho. Algumas parcerias surgiram neste início de ano, incluindo um belo espaço natural onde esses trabalhos serão oferecidos e pessoas com quem poderei compartilhar atuações. No site do Osho Brasil, a galeria de fotos pode ser acessada através do seguinte endereço www.oshobrasil.com.br/andorinhas.htm

Bem-vindo 2009!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

O Caminho com Osho - II

Perguntaram-me: como é possível ter Osho como referência, se ele próprio nos diz que não quer seguidores?

De fato não é tão simples entender os toques do Osho.
Para mim, o seu grande toque, talvez o maior de todos, é o de que nós temos que encontrar nosso próprio mestre interior. E o caminho para esse encontro é a meditação.
Mas como meditação é estado de não-mente, fica muito difícil falar sobre isso, utilizando palavras.
É essa exatamente uma das grandes contribuições do Osho: ter conseguido expressar em palavras muitas coisas que a gente não consegue dizer.
Por isso ele muitas vezes parece contraditório e até incoerente. E de fato é, pois ele nos fala sobre temas que não estão sob o domínio da lógica.
Por isso surgem os mal-entendidos a respeito da mensagem do Osho. Ele arriscou falar sobre o que não se fala.

Se a minha busca é pelo meu mestre interior, então a minha busca não é por Buda, nem por Cristo nem por Osho.
Então, eu não tenho que seguir Buda, nem Cristo nem Osho. Eu tenho que seguir o meu mestre interior, o centro de sabedoria que reside dentro do meu ser.
Todos nós guardamos no nosso centro mais profundo, essa grande preciosidade, esse mestre interior que é a fonte de nosso discernimento, de nossa sabedoria, de nosso amor em sua forma pura, de nossa compreensão...

Mas a sociedade nos treinou desde cedo para sufocarmos essa fonte interna de sabedoria e verdade, para nos moldarmos aos seus padrões, incluindo a moralidade, as crenças religiosas, as ideologias políticas, e uma série de conceitos e condutas que nos propiciam respeitabilidade e prestígio aos olhos dos outros.
É nesse estado que nos encontramos. Andamos pelas ruas, repletos de pensamentos, dúvidas, convicções, sonhos e ilusões, conceitos de certo e errado, opiniões, preocupações, racionalizações, e também carregamos raivas, medos, ressentimentos, invejas, frustrações, que fomos acumulando ao longo da vida.

Como dar o salto? Como nos livrarmos desse estado ao qual fomos condicionados e alcançarmos uma sintonia com o estado de serenidade, relaxamento e discernimento que repousa escondido dentro de nós? É uma tarefa difícil, sobretudo porque este salto tem que ser dado por nossa própria conta e risco e a sintonia com nosso centro mais profundo só acontece de maneira relaxada, espontânea e natural. O desafio é grande, a responsabilidade é totalmente individual, mas cada passo nessa busca já é uma conquista. Cada nó que eu desato já amplia significativamente a minha capacidade de respirar mais livremente. Isso é um grande estímulo.

Mas essa não é uma questão que aflige a grande maioria da população. Essa é uma questão que diz respeito a um pequeno grupo: somente àquelas pessoas que em algum momento da vida começaram a se questionar sobre o sentido dessa própria vida, do cosmos, da eternidade. E para alguns poucos, esses questionamentos se tornaram o foco principal, o sentido da vida. Entendo que este é o caso de todos nós que chegamos até a mensagem do Osho. Não foi à toa que seus livros nos tocaram e sensibilizaram. Para nós, essa questão do salto é relevante.

Seria muito mais fácil para nós, buscadores, se houvesse um roteiro a ser seguido, um manual com dicas e atalhos. Mas não é assim que se chega a algum lugar, não é assim que se dá o salto quântico. Por isso, Osho não criou um sistema de crenças e rituais que acabariam se tornando substitutos àqueles que nos foram impostos pela sociedade e suas instituições. Por isso, ele não deixou sucessores, não organizou uma religião, não deixou Dez Mandamentos. Ele simplesmente nos convidou, nos estimulou, nos seduziu, para que encontrássemos nossa própria religiosidade, para que respeitássemos nosso corpo como o único templo, e resgatássemos o contato com o nosso centro interior, que é a nossa fagulha divina.

Osho, tendo alcançado a compreensão maior que é o estado de iluminação, simplesmente compartilha conosco sua visão, sua abordagem da vida, de maneira que possamos, através dele, perceber que aquele estado búdico que ele realizou é possível para cada um de nós.

Para nós buscadores, no estado em que nos encontramos, Osho representa um presente da existência. As suas palestras, os seus toque, transcritos em livros são preciosidades para nós. No estado em que nos encontramos, ainda precisamos ouvir as suas chamadas para abrirmos os olhos, para abrirmos nossas percepções e nossa compreensão, para mergulharmos nas práticas de meditação. Mas ele faz questão de estar sempre insistindo no fato de que cabe a cada um de nós aguçar o nosso observador interno e que só assim conseguiremos acessar nossa fonte interna de lucidez e discernimento, e também conhecer a abertura e receptividade mais sutil que nos permitirá saborear o verdadeiro perfume das flores, o esplendor mais profundo de um céu estrelado numa real dissolução harmônica com o cosmos.

Por isso Osho não é um guru, ele não quer nos conduzir, ele não nos apresenta nenhum mapa, nenhum roteiro, nenhum atalho para chegarmos a algum lugar. Como ele mesmo diz, ele é apenas um convite, ele é um desafio, ele é um empurrão para nos encorajar a darmos o nosso salto, por nossa própria iniciativa e responsabilidade. Eu mesmo estava em Puna e o ouvi dizer: “eu estou empurrando vocês pela janela. Se vocês abrirem as asas e voarem pelo céu, o mérito é de vocês. Se vocês caírem e se afundarem na lama, o problema é de vocês. Eu estou apenas lhes dando um empurrão e dizendo que existe o céu no alto e a lama em baixo.” O desafio é individual. A responsabilidade é pessoal.

sábado, 6 de dezembro de 2008

A vida começa aos 60



É claro que, nesta presente encarnação, a vida começa a ser contada a partir de nosso nascimento. A gente nem se lembra mais, mas deve ter sido grande o impacto que tivemos quando captamos as primeiras impressões do mundo externo, as sensações táteis, os sons, as cores... Pôxa! Deve ter sido algo realmente fantástico, embora na época não tivéssemos ainda desenvolvido certos sensores , ou pelo menos eles ainda não estavam articulados sob o comando de uma central que processasse tudo conscientemente. E, mesmo depois, enquanto os primeiros anos avançavam, quantas descobertas fomos acumulando... Os primeiros passos, as primeiras palavras, as primeiras frases, os primeiros quebra-cabeças, as primeiras descobertas...

Quando eu estava próximo de completar vinte anos de idade, também tive uma sensação muito forte de que, agora sim, a vida estava começando para mim. Eu me lancei cedo numa carreira profissional e logo senti o gostinho de ter meu próprio dinheiro, de poder ter um fusquinha azul claro, de comprar todos os discos que sonhei ter, todos os João Gilberto, todas as Nara Leão, os Tamba Trio e todas as Elis. E também aqueles Duke Ellington, os Dizzy Gillespie e as Billy Holiday. E os livros? Sartre, Marx, Herman Hesse, Vinicius, Drumond... Sob certo sentido eu me sentia dono do mundo, pelo menos do “meu” mundo que eu estava construindo. Já podia pensar em constituir uma nova família, construir um patrimônio... Eu sentia que estava tomando as rédeas de meu destino e escrevendo a minha história. Quanta ousadia, quantos riscos, quantos medos...

Passados, porém, mais vinte anos, eu enfrentava novamente um período de grandes mudanças. Agora, eu olhava para trás e tinha uma visão de toda a vida que eu havia construído; podia ver e sentir o preço que tinha pago, tostão por tostão, por toda aquela estrutura montada. E começava a desconfiar - chegava mesmo a perceber - que a vida poderia ter tido um significado mais profundo, uma intensidade maior, um colorido mais vivo. Eu estava com quarenta anos e consegui chegar a uma compreensão de que eu tinha o direito e o poder de proclamar a minha liberdade. Vivi então o tempo da demolição, o tempo de desmontar, se não tudo, pelo menos muita coisa. Tempo de descobrir a quantidade de fardo que carregava desnecessariamente e jogar fora sem pensar duas vezes. Tempo de novas viagens para fora e para dentro. Tempo de experimentar os primeiros passos no desconhecido mundo do autoconhecimento. Quantas descobertas, quantos saltos, quantos novos experimentos em todos os níveis... Era o tempo de reaprender a andar, reaprender a sentir, a brincar, a dançar e a cantar. Começava a construir uma nova vida, com um entendimento mais abrangente e mais profundo, acreditando em novos sonhos e ideais de uma possível vida de paz e harmonia com o cosmos.

Mas eis que agora eu paro e me deparo diante de um espelho e descubro que os anos continuaram passando e eu cheguei aos sessenta. E quando eu digo que paro e me deparo diante do espelho, eu quero dizer muitas outras coisas além da simples constatação quantitativa do tempo passado. Há também a constatação qualitativa, há a intensidade, a diversidade e a profundidade. E mais que tudo isso, há uma compreensão que sinto chegar naturalmente, sem qualquer esforço de minha parte. E quando paro, eu me deparo diante de todos os sonhos, de todos os ideais e de todos os projetos, os realizados e os abortados, desde a infância, durante a mocidade e naqueles tempos ditos mais maduros. Por vezes, eu paro e apenas paro. Outras vezes eu paro internamente e continuo andando, mas o andar já se torna um passear, uma contemplação ambulante das ruas, das pessoas, dos carros, dos jardins, dos pássaros, das cores e dos sons. No movimento dos outros eu vejo todos os movimentos que eu mesmo fiz, na luta contra obstáculos, na proclamação dos ideais, na busca da realização dos sonhos. Quando me deparo diante do espelho que é o meu próximo mais próximo, eu vejo tudo em mim, numa dimensão passada. E paro. E por vezes, apenas paro. Descubro pela primeira vez vivencialmente a diferença entre nadar e flutuar com a vida. Intelectualmente eu já sabia disso e de tudo o mais. Mas agora, quando paro, eu consigo perceber que só tenho disposição para flutuar, que já não tenho vontade de nadar, que o nadar já não faz mais sentido. E quando eu permaneço no flutuar, vejo que nada faço, que permaneço parado e as coisas acontecem naturalmente. Talvez “parado” não seja a palavra certa. E não é. É mais um “relaxado”, sem expectativas, ou poucas. Um deixar as coisas acontecerem por si mesmas e observar.
Não parei de nadar ainda. Nado, e muitas vezes só pela curtição do nadar, sem mesmo olhar para onde. Mas, sobretudo, os sessenta anos têm me trazido muito mais facilidade para ver e entender que nadando eu não chego a lugar algum. E também que, se eu me permito flutuar, a vida me leva para onde eu devo ir, para onde faz sentido eu estar.
O fazer não se esgotou, mas agora já começa a querer assumir feições de uma brincadeira, de um relaxamento, de uma curtição, como se ele estivesse procurando descobrir o prazer de cada movimento e com um cuidado de escolher o passo que está mais em harmonia com o todo – interno e externo. Sim, parece mesmo que a vida está começando agora, aos sessenta. Pelo menos para mim.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Quando Osho nos fala sobre o amor

Quando Osho nos fala sobre o amor, tudo parece tão óbvio...
A gente fica com a sensação de que já sabe ou sabia tudo aquilo. E mais, ficamos achando que conhecemos aquele amor de que ele fala e que compreendemos perfeitamente que numa relação amorosa estamos sempre lidando com as diferenças. Conseguimos perceber o quanto a nossa parceira (ou parceiro) é diferente de nós e ficamos admirando as suas facetas interessantes, os seus coloridos distintos, e com muita tranqüilidade achamos que sabemos lidar muito bem com toda essa diversidade.
Sobretudo no início dos relacionamentos, que Osho chama de “primeira fase”, cada diferença identificada é objeto de um encantamento. E não apenas os detalhes “geográficos” que definem a dimensão física, incluindo o charme da cor dos olhos, o narizinho delicado, o jeito como os cabelos caem na testa, mas avançam, incluindo também o cheiro, a suavidade da pele, o olhar instigante, a maneira desleixada de andar.
Depois vem o encantamento com formas de pensar do outro, com a sua “bagagem cultural”, o seu senso estético, a maneira como reage diante de imprevistos, diante do que é repulsivo e diante de um sorriso de criança. E ela ainda tem um jeitinho muito especial de se mostrar enamorada, com as suas declarações de amor, o sabor de seus lábios, o aconchego de seu abraço... E aquela sensação indescritível de duas almas se dissolvendo em uma.
Definitivamente nos declaramos apaixonados. Desta vez não temos dúvidas: este é o amor de nossa vida. Desta vez a vida colocou em nosso caminho aquele alguém que estava marcado para ser o nosso grande e único amor.
Nessa hora dizemos que “entendemos” tudo o que Osho fala sobre o encontro de duas pessoas que se amam.

Mas, é exatamente nesse ponto que o rio começa a tomar um rumo diferente. As águas que até então seguiam tranqüilas, cortando vales floridos, de repente se deparam com cenários diferentes. Às vezes o rio encontra um deserto que absorve suas águas e ali mesmo ele desaparece. Outras vezes ele encontra um leito cheio de acidentes e suas águas se transformam em correntezas violentas. E, algumas vezes ele simplesmente encontra o mar e suas águas se dissolvem no oceano.

Em outras palavras queremos dizer que todo o romantismo inicial pode se desdobrar em, pelo menos, três possibilidades,

Na primeira possibilidade, toda a magia do nosso encontro e todo o encantamento que ele trouxe, também de maneira mágica, se transmuda em algo surpreendente, em algo que não conseguimos compreender.
Até então, vínhamos caminhando alegres pela rua, brincando e cantando, quando de repente, numa esquina igual a tantas outras, sem qualquer razão, olhamos para aquela mesma parceira (ou aquele parceiro) e, inexplicavelmente, a mesma tela colorida passa a assumir um preto e branco sem cheiro, sem sabor, sem vida. O encantamento se desfaz, ali, naquela esquina, sem qualquer motivo, sem qualquer explicação. Muitos relacionamentos “morrem” nesse exato momento.

Uma outra possibilidade é dos parceiros serem tomados por um estranho sentimento de que o relacionamento é algo que já está acertado e permanente. A partir de um certo momento, o romantismo inicial começa a ser substituído por uma sucessão de cobranças, cada vez mais intensas, cada vez mais carregadas de intolerância, de impaciência. O clima inicial de entendimento progressivamente é substituído por brigas e desencontros. Cada qual continua jurando amor pelo outro, continua afirmando que entende as diferenças do outro, mas, “em nome do amor” insiste em querer mudar no outro aquilo que é diferente de si. Parece que para aquele parceiro, aquele traço do outro, diferente do seu próprio traço, é algo errado, algo que não funciona, algo que precisa ser superado, Chega-se a dizer muitas vezes que é para “o próprio bem” do parceiro. Essa insistência de ambos os parceiros em cobranças e acusações se torna uma guerra permanente. Muitos relacionamentos duram anos nesse inferno.

Uma terceira possibilidade tem a ver com a maturidade de ambos os parceiros.
Ela acontece quando cada qual realmente compreende que o outro é um ser diferente e único, com maneiras distintas de ver o mundo, de se comportar, de reagir diante das circunstâncias. Cada um tem suas manias, seus gostos e preferências, seus vícios e suas virtudes e tudo isso faz parte do arco-iris que é cada pessoa. Quando há uma real aceitação de que o outro é único e diferente e quando há receptividade e abertura de ambas as partes, essa compreensão geralmente é utilizada por cada um para ver a si mesmo, se conhecer mais e se superar. O casal não apenas “grow old” (envelhecem) juntos, mas “grow up” (crescem) juntos. E isso ocorre não por pressão, insistência ou cobrança do outro, mas como conseqüência do amor.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Um dia com Osho

Neste último final de semana aconteceu o meu primeiro workshop - Um dia Com Osho. Como eu não tenho uma lista de e-mails de Juiz de Fora, a divulgação foi muito pequena. Mas, foi muito legal. Fiquei muito feliz com o trabalho. Um grupo pequeno, mas foi um excelente teste. Não apareceram nem aqueles que "sabem tudo" sobre Osho e seu trabalho, nem aqueles que nada têm a ver com o assunto. Os que vieram foram aqueles que já leram Osho e têm curiosidade em saber mais a seu respeito, ou aqueles que já ouviram referências (sobretudo na mídia) contra Osho, mas andam meio confusos porque têm lido coisas legais dele. Então vieram para conferir. E é exatamente esse o público para o qual foi montado esse evento de 1 dia. Com certeza esse workshop será repetido, mas da próxima vez, com uma divulgação mais ampla, tentando, inclusive, espaço em jornal e em TV.


O que achei muito bom foi o fato do workshop ser declaramente a respeito do Osho e seu trabalho. E o resultado ter sido fantástico. Na prática, não foi um evento para fazer propaganda do Osho, não foi para converter ninguém, nem foi para dizer que Osho é o "cara". Foi um trabalho onde eu pude dizer que Osho ofereceu algumas ferramentas muito boas para o nosso processo individual de auto-conhecimento, de dissolução de cargas que desnecessariamente carregamos, e de abertura e estimulo para realizarmos a nossa potencialidade. E que o workshop era para que conhecessemos um pouco essas ferramentas e como Osho fazia para nos apresentá-las.


Assim, em um dia tivemos Dinâmica, Nataraj e Kundalini. Entre os intervalos utilizados para um compartilhar descontraído e esclarecedor, tivemos, pela manhã, uma sessão de vídeo com Osho falando que a sua mensagem não era para o intelecto, que ele não era nem matemático nem filósofo. A sua mensagem é uma comunhão de coração a coração. Logo após o almoço, tivemos um pequeno módulo com fita cassete apresentando uma mensagem do Osho a respeito do Amor. Muito profunda e que tocou o coração de todos. Depois tivemos a meditação No-Mind que foi feita com o uso de um DVD, e não CD ou fita k7, como usalmente se faz. O DVD continha uma resposta do Osho a uma pergunta sobre a testemunha e o observador dentro da meditação e em seguida o gibberish e a meditação conduzida pelo Osho. As pessoas fizeram com os olhos fechados, mas sabendo que ali na frente estava a.TV com a imagem do Osho e de 10 mil buscadores fazendo exatamente o mesmo que eles. Foi muito legal.


Após o lanche do final da tarde, apresentei trechos de um vídeo com Osho conduzindo um Robe Branco no final de setembro de 1989 (quando eu mesmo estava presente no Buddha Hall).
E fechamos o trabalho com um feed-back final muito sincero de cada um. Para mim foi muito enriquecedor. E senti que também o foi para todos os presentes.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Caminhada matinal

Saí de casa para uma caminhada matinal. Senti no ar que o tempo estava se abrindo, as nuvens estavam se afastando e criando espaços para os raios de sol se espalharem. Enchi o peito e peguei um pique. De repente, senti umas pequenas gotas. De chuva? De algum ar condicionado de um prédio? Atravessei a rua e de novo alguns pingos. E agora não tinha prédio algum por perto. Olhei para o céu e vi uma nuvem escura querendo se expandir. Hesitei por um momento. Seguir em frente? Arriscar uma possível chuva? Nenhuma resposta me chegou, a não ser a lembrança do “Não-Pensamento do Dia”, do Osho, que o Viraj me enviou semana passada: “Nada é bom, nada é ruim. Quando isso desponta em sua consciência, subitamente você está unido, todos os fragmentos desapareceram numa unidade. Você está cristalizado, você está centrado. Esta é uma das maiores contribuições da consciência Oriental para o mundo."

De repente, me veio a imagem de tantas vezes em que eu fui pego de surpreso por uma chuva de verão. Eu tentava escapar correndo, mas não havia marquises por perto e a chuva me encharcava pouco a pouco. Ao sentir as roupas ensopadas e a chuva forte escorrendo pelo meu corpo, da cabeça aos pés, eu finalmente me rendia e começava a caminhar vagarosamente, curtindo aquele indescritível banho de chuva. Que sensação fantástica! Inesquecível! Então, eu pensei: este é o pior cenário possível que pode me aguardar, caso o tempo realmente vire, o sol se recolha, as nuvens escuras tomem conta do céu e uma forte chuva se instale.

Duas opções se abriam, então, diante de mim: uma linda manhã de sol ou uma linda manhã de chuva. Relaxei e segui em frente para mais uma caminhada/aventura, para mais uma exposição às mil possíveis experiências a serem vividas a cada passo: as flores, as árvores, o rio, o casal de idosos, as crianças indo para a escola, um gato me espreitando no portão, o forró tocando na cabine do caminhão, as montanhas ao longe, o chão que acolhia meus passos, o meu corpo deslizando e escorregando no meio da brisa matinal, a respiração...

domingo, 2 de novembro de 2008

Relações afetivas

Conversando com uma amiga que trabalha com tarô, ela me disse que noventa por cento das questões que as pessoas levantam nas suas sessões é a respeito de relacionamentos afetivos. Uma questão que, de fato, mexe todo mundo. Alguns, desde os 10 anos de idade e outros, até os 100, se vivemos até lá. E o incrível é que passamos uma vida inteira ocupada com questionamentos sobre esse tema e, na maior parte das vezes, sem chegarmos a uma compreensão maior, nem mesmo para os itens mais simples e banais.

Problemas como ciúme, posse, atração e rejeição, fidelidade, frigidez e fissura por sexo, ou problemas de incompatibilidade de gênios, de gostos, de buscas e anseios, estão sempre presentes nos consultórios de psicoterapeutas, nas conversas com os amigos mais íntimos ou nos pensamentos que ocupam nossas noites sem sono. E, infelizmente, por trás desses problemas existem muito mais desencontros que encontros, muito mais incompreensões que compreensões.

A propósito desse tema, ouvi o seguinte comentário de um outro amigo: “parece ser preciso experienciarmos relacionamentos desarmônicos e frustrantes, para que possamos encontrar e viver um verdadeiro amor.” Mesmo sem entrarmos nessa questão do amor verdadeiro, pois ela implica um outro campo de entendimento, o que o nosso amigo basicamente quis dizer é que a gente precisa viver várias relações para esgotarmos desejos, sonhos; para compreendermos que nossas frustrações se originam de nossas próprias expectativas, e que muitas delas são construídas em cima de ilusões e fantasias. Sair do sonho e cair na realidade seria o primeiro passo para a maturidade, embora muitas vezes seja um processo dolorido.

Se seguirmos essa abordagem da questão, teríamos que acrescentar - além desse primeiro passo de dissolução de ilusões e expectativas nos relacionamentos -, mais um passo, que seria o de vivermos a experiência de estarmos só, de descobrirmos a dor, o prazer e os encantos de uma vida solitária; que seria o de aprendermos a nos apoiar em nós mesmos, de acreditarmos em nossa capacidade de enfrentarmos sozinhos as tempestades e os trovões, assim como de nos deliciar com a brisa da manhã ou com um inesperado pôr-do-sol.

Mas, será mesmo necessário experienciarmos vários relacionamentos? E será necessário termos depois a experiência de uma vida a sós? Entendo que essas não são as perguntas mais relevantes e que elas podem nos desviar do foco da questão.

O foco da questão é a necessidade de dissolvermos a ilusão de que o outro irá suprir a nossa carência afetiva, que se instala em nosso peito qual um buraco negro. Não importa se para isso a pessoa precisa viver um, vários ou nenhum relacionamento.

O foco da questão é que somente quando estamos inteiros, quando nos bastamos a nós mesmos, quando somos capazes de nos amar do jeito que somos, quando podemos estar em paz e de bem com a vida, por nossa própria conta; somente quando deixamos de ser mendigos da atenção, do carinho e da presença do outro; somente quando somos imperadores, e não mendigos, estamos prontos para vivenciarmos um encontro verdadeiro com alguém que também esteja inteiro ou, pelo menos, esteja na busca de sua integridade. E assim, podemos iniciar, de mãos dadas, uma caminhada ascendente. Sim, juntos, mas cada qual com sua individualidade, sua liberdade, sua busca e realização.