segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Caminhada matinal

Saí de casa para uma caminhada matinal. Senti no ar que o tempo estava se abrindo, as nuvens estavam se afastando e criando espaços para os raios de sol se espalharem. Enchi o peito e peguei um pique. De repente, senti umas pequenas gotas. De chuva? De algum ar condicionado de um prédio? Atravessei a rua e de novo alguns pingos. E agora não tinha prédio algum por perto. Olhei para o céu e vi uma nuvem escura querendo se expandir. Hesitei por um momento. Seguir em frente? Arriscar uma possível chuva? Nenhuma resposta me chegou, a não ser a lembrança do “Não-Pensamento do Dia”, do Osho, que o Viraj me enviou semana passada: “Nada é bom, nada é ruim. Quando isso desponta em sua consciência, subitamente você está unido, todos os fragmentos desapareceram numa unidade. Você está cristalizado, você está centrado. Esta é uma das maiores contribuições da consciência Oriental para o mundo."

De repente, me veio a imagem de tantas vezes em que eu fui pego de surpreso por uma chuva de verão. Eu tentava escapar correndo, mas não havia marquises por perto e a chuva me encharcava pouco a pouco. Ao sentir as roupas ensopadas e a chuva forte escorrendo pelo meu corpo, da cabeça aos pés, eu finalmente me rendia e começava a caminhar vagarosamente, curtindo aquele indescritível banho de chuva. Que sensação fantástica! Inesquecível! Então, eu pensei: este é o pior cenário possível que pode me aguardar, caso o tempo realmente vire, o sol se recolha, as nuvens escuras tomem conta do céu e uma forte chuva se instale.

Duas opções se abriam, então, diante de mim: uma linda manhã de sol ou uma linda manhã de chuva. Relaxei e segui em frente para mais uma caminhada/aventura, para mais uma exposição às mil possíveis experiências a serem vividas a cada passo: as flores, as árvores, o rio, o casal de idosos, as crianças indo para a escola, um gato me espreitando no portão, o forró tocando na cabine do caminhão, as montanhas ao longe, o chão que acolhia meus passos, o meu corpo deslizando e escorregando no meio da brisa matinal, a respiração...

Um comentário:

Dagmar disse...

...me permitindo mencionar que a minha mãe sempre dizia: Não existe "mal tempo", só existe "mal vestido" ...
Just say YES! Com amor. Dag