sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Fidelidade e comprometimento


Algumas pessoas, inclusive amigos sannyasins, às vezes questionam porque em meus depoimentos e comentários eu me fixo apenas no Osho, enquanto existem tantos outros autores e mentores espirituais, cujos trabalhos também levam a um aprofundamento da consciência, do entendimento, da sensibilidade, da compaixão, do amor, do silêncio, mesmo que nada tenham a ver diretamente com o Osho.

Eu entendo esse questionamento e inclusive acho muito apropriado que essas pessoas, em suas palestras e em seus trabalhos se apóiem em mensagens de um Eckart Tolle ou de um A H. Almaas, ajudando mesmo a divulgá-los. Apesar disso, eu sinto que Osho ainda tem muito para ser explorado, muito para ser difundido e muito para ser esclarecido. Há muitas pérolas do Osho para serem trazidas ao grande público, e, de uma maneira clara, pois muitos mal-entendidos se espalharam, em parte em conseqüência de uma distorção orquestrada pelo "sistema" com apoio da mídia, sobretudo nos anos 80, embora ainda hoje encontremos esse trabalho leviano de se denegrir a imagem do Osho, como o fez recentemente revista VIP.

Esta é uma das razões porque tenho insistido em trabalhar especificamente com Osho. O mundo mudou? Sim. Outras pessoas estão falando coisas significativas? Sim. Mas é fundamental que a sua mensagem original seja preservada e difundida. E sei que tentei fazer isso de maneira muito rígida no passado, o que é incoerente com o próprio espírito da sua mensagem. Busco hoje mais maleabilidade, faz parte do meu processo, mas não quero perder essa fidelidade à sua mensagem original. Sinto que este é um trabalho que precisa ser feito. E eu me coloco como voluntário.

Se no mundo de hoje dispomos de um leque com mil e uma vertentes, e as pessoas podem buscar pela internet canais para acessar todas essas vertentes, eu quero manter um canal para que as pessoas possam acessar a mensagem do Osho de maneira mais original e mais preservada. As pessoas têm a liberdade e o direito de fazerem suas buscas em todos os canais, inclusive os do Osho.

Uma segunda razão para essa minha “exclusividade” ao Osho é que pessoalmente, eu sinto que os toques do Osho, sem qualquer mistura com outras fontes, têm sido uma sucessão de ciclones em minha vida. Às vezes passo por pequenos períodos de calmaria, mas logo em seguida enfrento uma sucessão de grandes turbulências. Eu vejo à minha frente um longo caminho e Osho tem sido uma luz para mim. É claro que é uma luz que indica a minha própria luz e com isso tenho dado passos. Ainda não estou no ponto de dispensar essa luz do Osho, sobretudo nos meus tropeços, nos momentos de incertezas.

Quando leio outras fontes, como um Eckart Tolle ou um Shunryo Suzuki, eu reconheço muitas coisas que vi anteriormente no Osho, ainda que com outras palavras, com outros exemplos, o que, por vezes, até ajuda minha compreensão. Mas fico sempre com a ótica do que aprendi com Osho, checando se o que eles estão dizendo é válido ou não. Ou seja, a minha confiança em Osho é absoluta. E a confiança nessas outras fontes é relativa. E é exatamente a confiança absoluta que tenho no Osho, que possibilita a minha entrega e a aceitação para que novas possibilidades se abram em minha vida a partir mesmo de muitos de seus toques.

Pode ser que no meu processo pessoal eu chegue a um ponto em que "jogue os livros do Osho na fogueira", como em algum lugar ele mesmo sugere, mas ainda não cheguei nesse ponto. Até lá, o que tenho procurado entender é a minha rigidez e ortodoxia que muitas vezes geraram polêmicas e broncas por parte de outras pessoas. Tenho procurado abrir mais minha receptividade e aceitação para com outras possibilidades de ver, de compreender, de crescer.


5 comentários:

Luis Peters disse...

Artigo esclarecedor e honesto.Para se atingir a água é preciso cavar a terra,com persistência,no local escolhido e não,sair cavando vários buracos rasos em toda a superfície,como em um trabalho preguiçoso e afoito.Imagina,então,na jornada espiritual!
Na atualidade,o imediatismo de resultados é bastante cultuado,no entanto,a Vida não funciona desta maneira.Somente os comprometidos terão alguma chance.

Abhinav disse...

Bacana o blog, e adorei receber o boletim. Olha que comentei com vc hj sobre um blog e nem sabia da existência do seu...

Gde abraço!

Ricardo Paulino disse...

Um texto vindo de um ser humano sensível e corajoso, este é o Champak. Eu, particularmente, tenho estado aberto para outras fontes de ensinamentos que não apenas o OSHO, apesar de que, na minha percepção, as fontes com as quais tenho me identificado acabam tendo conteúdos/mensagens muito sememlhantes na sua essência. Quanto ao que vc escreveu, não me incomoda a sua escolha de ficar somente com o OSHO. Eu mesmo me nutro muito desta sua escolha, lendo os seus textos tão amorosamente redigidos, recebendo o jornalzinho com textos do OSHO, tão bem escolhidos por vc. Agora, se vc sentir que esta sua escolha traduz algum tipo de apego que traz algo interno teu a ser compreendido e transcendido, acho que vale à pena olhar pra isso com amor e paciência. E também não acho que, se algo for transcendido, vc tenha que necessariamente jogar o conteúdo do OSHO na fogueira (risos).
Abraço carinhoso.
Ricardo (Belém)

Sampurno disse...

Rigidez e ortodoxia me lembra os fundamentalistas religiosos, os "xiitas" de todas as religiões do mundo. Vc é um "xiita", Champak?
Osho é o seu fundamento? Sannyas é a tua religião?
Eu sou curintia, da fiel nação curintiana, disputando a segunda divisão do brasileirão e nem assim perdi a minha fé no curingão. Isso sim que é ser ortodoxo, pois já mudei de mulher várias vezes, de partidos políticos, de bancos, de marca de sabonetes e de shampoos, mas nunca mudei de ser um fervoroso torcedor "do Timão". Não se preocupe meu amigo, louco sou eu, pelo Curintia.
Dessa ilha atlântico-amazõnica, um grande abraço.
ANAND SAMPURNO

Bosco Carvalho disse...

Oi Champak,

faz um bem danado deixar a ortodoxia de lado...

Besitos.

Shraddes