sábado, 28 de maio de 2011

Sobre a busca/não busca.


O título é uma expressão da Amras e eu agradeço a ela por um dia ter sugerido que eu criasse este blog para expressar minhas reflexões, meus comentários, minhas crônicas.
O que mais gosto nesse blog é de me sentir inteiramente à vontade para escrever o que quiser e quando quiser. Às vezes passo meses sem escrever uma linha e às vezes escrevo várias vezes numa mesma semana.
Também fico à vontade para escrever aquilo que sinto me inspirar no momento, sem qualquer preocupação de estar sendo coerente, de estar dizendo alguma verdade que toque as pessoas, de estar sendo reconhecido como alguém especial. Escrevo como sendo um desabafo, um transbordar de algo que está pulsando dentro de mim.
Muitas vezes a vida me faz compreender coisas profundas, mas eu sinto que é algo muito pessoal que quero guardar comigo. Nesses casos eu nada escrevo. Mas, ocorre de brotar um sentimento de querer expressar o que bate aqui dentro. Nem sempre com a intenção de compartilhar com quem quer que seja, mas simplesmente a vontade de expressar, de colocar para fora e depois poder ver objetivamente o texto que eu construí e que foi publicado.
E é interessante quando a gente escreve e publica. É totalmente diferente de um diário em que escrevemos e guardamos trancado a sete chaves. Quando publicamos, ficamos expostos, abrimos nosso coração, abrimos nossa intimidade. Ou, ao contrário, podemos simplesmente escrever de uma maneira cuidadosa para não cometer deslizes, com vistas a merecer aplausos e reconhecimentos. Não tem sido essa a minha experiência neste meu blog.
Eu tenho aproveitado esse blog, como um canal de comunicação para procurar me expor autenticamente, humildemente e sinceramente. Mesmo sabendo que somos traídos muitas vezes por um lado inconsciente de nosso ego, sendo falsos não intencionalmente quando pensamos ser verdadeiros.
Aprendi com Osho que “As pessoas quando estão frustradas com desejos mundanos, começam a mudar o objeto: elas começam a desejar objetos do outro mundo – céu, paraíso e todas as alegrias do céu. Mas o jogo é o mesmo, a mente está de novo fazendo você de tolo. Esse não é o caminho da pessoa inteligente, esse é o caminho do tolo.”
Assim, quem acompanha esse meu blog, pode ter observado uma mudança no foco de meus escritos. Pouco a pouco fui abandonando meu discurso mais espiritualizado, deixando de enfatizar meditação, iluminação, não-mente, e outras “aspirações do além” e comecei a descer ao terreno dos simples mortais que se reconhecem ainda no mundo da mente, das distrações terrenas, da comida gostosa, do sexo, dos jogos de futebol, da conversa boba ao redor do fogão na casa das tias, essas coisas de gente comum.
Aprendi que ao me reconhecer como pessoa comum, ordinária estou muito mais relaxado e à vontade comigo mesmo do que quando me via como alguém extraordinário, alguém que já trilhara esse ou aquele caminho, que já superara essa e aquela fase, e que já estava numa dimensão acima dos simples mortais, dos mentais, dos apegados às ilusões do mundo.
Aprendi com a minha experiência e essa experiência é minha. E só eu posso saber, ou não, o que essa experiência me diz e o que ela representa. Ao buscar ser mais simples, mais comum senti a necessidade de ser mais mundano, pois, antes, eu estava buscando ser especial e extraordinário. Sinto que isso faz parte do meu processo. Pode ser que eu esteja dando passos à frente enquanto penso estar dando passos atrás. Qual o termômetro para medir? Só eu mesmo posso saber. Não é alguém que está lendo este meu texto que irá me dizer. Esse alguém poderá no máximo fazer julgamentos. Mas isso é problema dele. O que interessa a mim é como eu me sinto nesse processo, se estou ficando mais relaxado, mais de bem comigo mesmo, mais à vontade com a vida. Para mim esses são critérios valiosos. Mas sempre a partir de minha própria percepção, da minha sensação e meus sentimentos.
Sinto que um degrau a mais na ascenção dita espiritual só é possível a partir do chão, do terreno, do ordinário, do simples e comum. E essa questão não é resultado de uma discussão, de uma troca de idéias, de um fórum a ser aberto neste blog. É uma compreensão fundada na experiência de vários anos e numa intuição mais profunda que conseguimos alcançar.
Já deixei para trás a importância que dava aos juízos e comentários de meus pares, daqueles que considerava meus companheiros de jornada. Descobri também com Osho que não existe relação discípulo-discípulo, mas apenas a relação discípulo-mestre e, é claro, a relação minha para comigo mesmo.
É a partir dessa ótica que eu agradeço a Amrás por ter estimulado que eu fizesse este blog. Ele está sendo uma grande oportunidade para eu exercitar essa minha expressão de sinceridade, de exposição de minha intimidade, de me abrir, não para A ou para B, mas simplesmente de me abrir, abrir meu coração. E eu sinto que cresço com isso.

7 comentários:

Maricelia disse...

Fui atraída pelo título e saboreie com satisfação cada palavra escrita e que é uma janela cheia de amor do que de passa no seu mais íntimo... Eu compreendo cada palavra, nao apenas com a mente, mas com a voz do coracao. Um abraco, Maricelia

Arpana Gyan disse...

Fiquei curioso quando acessei o seu "Blog Champak" e me surpreendi com o novo Champak. Fico feliz por poder compartilhar. Esse Osho faz mesmo a diferença, Ele é um lapidador de almas. Essa vida mundana precisa ser palmilhada. Com carinho. Arpana Gyan.

Magan Prem disse...

ahhhhhhhh! que tranquilidade que dá ler tudo isso. simplesmente existir, do jeito que É. Gracias, gracias.

Maria de Souza disse...

Fiquei frustrada; vim aqui procurando palavras de um mestre, eu acho...gostei do que escreveu, apesar de dizer que não havia vaidade no que escreveu, vi sabias direitinho a importância do qu estavas escrevendo...Enfim, bacana. Volto.

Devacharya disse...

Palavras simples vindas de um coração sincero serão sempre bênçãos para aqueles que se abrem para o extraordinário que se esconde no aparentemente banal e mundano. Gratidão.

Anônimo disse...

Grata por compartilhar... Suas palavras tocam profundamente meu ser e estimulam em minha não busca. Gratidão Champak.

Fabio Rocha disse...

Meu primeiro blog se chamava "Da Busca", pois, mesmo sendo em poesia, era essa mesma busca que descreveu nesse belo post. Nunca pensei em se expor como algo positivo. Belo post mesmo. Abração