sábado, 22 de maio de 2010

Deus


Muita gente se choca quando vê Osho, num vídeo ou livro, dizer que Deus não existe; que Deus não é uma solução, mas um problema.
Osho não está falando nenhum absurdo, nem isso é contraditório em relação a tudo mais que ele diz.

Sim, o próprio Osho se diz contraditório, mas isso é só na aparência. Aparentemente ele é contraditório e inconseqüente, assim como a vida muitas vezes se nos apresenta, contraditória e inconseqüente. Mas se conseguirmos observar a vida com mais aceitação e menos cobrança, com o coração aberto, com acuidade e compreensão, sem desejos e expectativas, poderemos descobrir nela uma profunda lógica, um profundo sentido, por trás de tudo que parece ilógico.
O mesmo ocorre em relação ao Osho quando ele nos revela a verdade tal como ela é, nua e crua.

Desde os tempos primitivos, os homens recorreram a supostas forças poderosas que pudessem protegê-los das catástrofes, dos animais ferozes, da doença e da morte. Assim, criaram Deuses para aliviar suas carências, seus medos, suas fragilidades e inseguranças. As religiões surgiram nessa atmosfera e cuidaram de lapidar esses Deuses criados pelos homens, de maneira que pudessem manipulá-los, mantê-los sob controle. Assim, cada religião moldou um conceito de Deus e os homens se agarraram a ele.
É interessante observar que em muitas sociedades ele é chamado de Deus Pai, o que bem revela o seu papel de substituto da figura paterna, aquele personagem forte que marcou nossa infância, ora como protetor, ora como provedor, ora como abrigo carinhoso.

Em breve estará disponível no Youtube, postado pela Osho International, um vídeo do Osho, legendado em português, com a palestra entitulada: “O que é mais importante – ser você mesmo ou conhecer a si mesmo?”. Nessa palestra, ele nos fala como o simples ato de, quando criancinhas, segurarmos as mãos de nossos pais, de nossos irmãos, das pessoas mais velhas, marca nossas vidas. Nós nos acostumamos e nos tornamos dependentes de alguém para continuar segurando as nossas mãos ao longo da vida. E assim seguimos nos agarrando a Deus, a mentores espirituais, a cônjuges, a ideologias, a crendices...

Nesse sentido, Deus torna-se um empecilho para o nosso desenvolvimento espiritual; assim como o próprio Osho pode se tornar um empecilho para nós, caso o coloquemos na posição de guia, de infalível, de salvador, de nosso protetor... Não foi isso que fizeram com Jesus, com Maomé e com tantos outros? Isso é o que Gautama Buda quis dizer ao afirmar - "se eu aparecer no seu caminho, ainda que seja num sonho, corte a minha cabeça." - Nenhum Deus, nenhum mestre, nenhuma filosofia pode ser um empecilho para o nosso crescimento espiritual.

Por muitos anos eu tive Osho como um guia, mesmo sabendo de sua insistente afirmação de que ele não é guia nem guru de ninguém. Era a minha necessidade, era a minha miopia.
Hoje, pela minha própria experiência vivencial, compreendi que Osho não é meu guia. O meu guia sou eu mesmo, não a minha mente, não o meu ego, mas o meu próprio ser, que eu só alcanço através de um longo processo de auto-conhecimento, que passa pela meditação e que me permite ser eu mesmo. Nada externo a mim pode ser meu guia e protetor, nem Deus, nem Osho, nem qualquer filosofia. A luz que ilumina meus passos existe dentro de mim e ela ilumina com o discernimento e compreensão que alcanço com a meditação.

O que é essa luz dentro de mim, o que é essa harmonia mágica que vejo e sinto ao meu redor e que se espalha pelo infinito? Tudo isso é mistério e eu posso chamar esse mistério de Deus ou não. É apenas um nome para aquilo que não é palpável, não é imaginável. E por que dar nome e forma a esse mistério? Por que tentar explicá-lo através de discursos, teorias, filosofias, teologias? O que é real é a própria vida, é o amor, é a flor que desabrocha, é a harmonia estelar, é o sorriso de uma criança. Dê a isso o nome que queira dar. Pode chamá-lo de Deus, mas com certeza não será uma figura paterna, sentado em algum lugar acima das nuvens a nos observar, controlar e julgar. Isso é outra coisa. Esse Deus criado pelo medo dos homens e "usado" pelas religiões para controlar as consciências, de fato esse Deus não existe.

4 comentários:

IARA disse...

Eu desconfiava disto....

Marius disse...

Fico feliz em ver o Champak postando novamente, falando de coração p coração. Como a realidade é em grande parte abstrata , composta pelas ilusões que escolhemos ou que escolheram por nós, podemos escolher Osho ou qualquer outro como guia espiritual, mesmo no fundo sabendo que somos todos apenas companheiros de viagem, querendo decifrar os enigmas indecifráveis da existência. Isto em nada diminui a importância que o mestre ou companheiro Osho nos oferece com todo o seu conhecimento, insights e iconoclastia. Parabéns Champak pela honestidade e pela coragem de quebrar seu script para caminhar nas próprias pernas e ser vc mesmo. Abç- Marius

PAKI disse...

Estamos sós e juntos nessa caminhada. Só você ou eu, ou cada um pode saber como é alcançar essa compreensão. Porém foram necessários guias, mestres, processos, meditações, caminhadas, até poder compreender. Namastê Champak.

clarinda disse...

Um grande abraço!!!