terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Surpresas da vida


Eu acabara de chegar em Manhattan.
Vinha do Brooklyn, onde, por obra do acaso, metade de meu coração resolveu fincar raízes.
Deixei o metrô e, subitamente, me vi diante da Praça da Estação.

Parecia que tudo estava do mesmo jeito... Um pouco de poeira, é claro, mas o mesmo ponto de táxi e o Cine São Luís, à esquerda. Mas não naquela sua fase decadente em que só exibia filmes pornô. Não, era o Cine São Luís onde eu assistia todos os domingos de manhã aos emocionantes filmes de faroeste e onde, diante da entrada principal, a meninada espalhava pelo chão os gibis usados para o esperado troca-troca.

Foi exatamente do velho prédio da estação da Central que vi Maria Teresa descendo as escadas. Ela vinha como uma princesa, com um longo vestido branco e com um chapéu bordado, também branco. Ela me viu e sorriu.
Ah! Pensei eu, há quantos anos esperava por esse sorriso...
Foram precisos 40 anos para que esse encontro se consumasse. Assim, desta maneira, simples e inocente, sem amarras, sem precisar pedir licença.

Por que 40 anos? Eu fiquei e ainda fico me perguntando.
Por que esperar 40 anos para realizar tantas coisas que num estalar de dedos sempre estiveram exatamente ali na minha frente?
E nesta hora eu me pergunto: quantas coisas mais eu aspiro e posso realizar e que, na minha inconsciência nem me dou conta de que estão ali à minha disposição, aguardando apenas o meu simples estalar de dedos?
Será que terei que sair pelas ruas, procurando atrás dos velhos prédios, nos becos e praças públicas? Onde estão essas coisas ou essas pessoas ou essas experiências ainda não vividas e ávidas de receberem um sopro humano, e que certamente estão aguardando por mim em alguma esquina?
Terei que ir novamente à Índia, ou estará aqui do lado, na subida da rua Antônio Carlos onde num dia encontrei Gisele, o grande amor de minha vida que no outro dia virou sorvete e derreteu?

Realmente não sei. São muitas indagações para minha cabeça. Acho melhor virar para o canto e dormir novamente. Quem sabe se amanhã a vida vai me presentear com uma agradável surpresa?

3 comentários:

Maria Amelia disse...

Champak,

Não sei bem o que comentar neste post!!!Hum...apenas um ponto: porque não ir de novo a India?

Abraços

angela disse...

Não sei, Champa, mas, parece que muitas coisas que pensávamos impossíveis ou inalcançáveis perdem a importância com o tempo...gostei da metáfora 'virou sorvete e derreteu'.

No filme 'Entardecer', Vanessa Redgrave diz aliviada: não existem erros e Merryl Streep diz: fizemos o que tínhamos que fazer...
Fiquei pensativa sobre isso e me senti aliviada também.

Um abraço.

Neusa disse...

Oi, Champak!
Você me disse várias vezes que as respostar para nossas dúvidas encontramos dentro de nós. Que pena que o sorvete derreteu, mas logo alí adiante você pode encontrar outra sorveteria.beijos adoro você abraços forte Salama 02.06.09